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A biodiversidade como alternativa ao controle biológico nas lavouras

O uso indiscriminado de defensivos agrícolas geram grandes prejuízos ao meio ambiente. A biodiversidade é alternativa para o controle biológico das lavouras.(...)

Por serem pequenos, abundantes e irritantes, é comum encontrar quem não perceba a importância dos insetos para os biomas, grandes responsáveis pela polinização das plantas(...)




O século XX foi marcado pelo desenvolvimento tecnológico e social que permitiu a humanidade viver mais e com maior qualidade como em nenhum outro momento da história. Um dos resultados desse cenário foi o exponencial crescimento populacional. Em 1900 éramos cerca de 1,5 bilhões de seres humanos no planeta. No início dos anos 2000, esse número havia saltado para 6 bilhões.

O elevado e acelerado crescimento obrigou a grandes mudanças na produção de alimentos, que ganhou escala industrial com o auxílio da mecanização e avanços no campo da biologia e química. Foi nesse momento em que os defensivos agrícolas passaram a ser utilizados no combate às pragas nas lavouras.

Nas últimas décadas, porém, vimos um intenso crescimento de movimentos que questionam o uso indiscriminado dos defensivos, alegando os efeitos negativos das substâncias tanto na saúde humana quanto no meio ambiente. Como resultado, práticas agrícolas baseadas em modos de produção orgânicos e agroecológicos vêm ganhando espaço.

Embora até mesmo grandes propriedades venham aos poucos se rendendo a modos de produção que se contrapõe a Revolução Verde do século XX, o uso de defensivos agrícolas continua alto. Em defesa, produtores alegam que seria impossível produzir em grandes quantidades e realizar o controle biológico sem o uso dos químicos. Será?



A importância da biodiversidade para realizar o controle biológico da lavoura

Por serem pequenos, abundantes e irritantes, é comum encontrar quem não perceba a importância dos insetos para os biomas. Grandes responsáveis pela polinização das plantas, além de servirem de alimento e fontes de nutrientes para milhares de espécies maiores, a presença de insetos em uma região é um forte indicativo de sua saúde ambiental.

O uso de defensivos agrícolas de forma indiscriminada embora dê fim aos insetos-pragas é capaz de afetar também demais membros dessa população - como as abelhas, por exemplo - dando origens a lavouras com pouquíssima vida e prejudicando o bioma ao redor.

A realidade é que a resistência e resiliência dos cultivos podem ser aprimoradas através de suas defesas intrínsecas. Para que elas sejam efetivas, contudo, é necessário cuidar da biodiversidade acima e abaixo do solo, bem como promover a melhoria da saúde do solo. Ambos objetivos podem ser alcançados através da adoção de diferentes estratégias.

A manutenção da biodiversidade é fundamental para a defesa dos cultivos. Quanto maior a diversificação de plantas, animais e organismos do solo em um sistema agrícola, maior será a diversidade da comunidade de inimigos naturais das pragas que a unidade de produção poderá sustentar.

Entre os grupos envolvidos nesse processo se destacam: os predadores benéficos, que se alimentam de insetos e ácaros que se alimentam de plantas ou sugam suas seivas; os parasitóides, que põem seus ovos dentro dos ovos e/ou larvas das pragas; os organismos benéficos causadores de doenças, como bactérias e fungos que atacam as pragas; organismo do solo, que ajudam a combater as erva-daninhas e atuam na quebra e decomposição da matéria orgânica, fornecendo nutrientes para as plantas.

Algumas medidas que os produtores rurais podem adotar para aumentar a biodiversidade nas unidades de produção são:

  • Aumentar a diversidade de plantas por meio da rotação de culturas ou policultivos, onde culturas comerciais e plantas de cobertura são cultivadas em uma mesma área ao mesmo tempo;
  • Cuidar do manejo da vegetação no entorno das lavouras para atender as necessidades dos organismos benéficos;
  • Fornecer recursos suplementares para organismos benéficos, como estruturas artificiais para nidificação, alimentação extra e presas alternativas;
  • Implantar corredores ecológicos que conduzam organismos benéficos das matas ou áreas de vegetação natural próximas dos cultivos;
  • Manter faixas de vegetação, cujas flores atendam às exigências dos organismos benéficos.

Com essas medidas é possível realizar o controle biológico dos cultivos sem a dependência dos defensivos agrícolas, o que não apenas é benéfico a saúde humana e ao meio ambiente, como também reduz os custos de produção.

Nesse momento de transformação do mundo, pensar em novas formas de produzir alimentos quebrando padrões consolidados no século passado é urgente e necessário. Vamos juntos nessa!

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Fonte: Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável – Miguel Altieri

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